3 de outubro de 2009

Carta do Prof. Curvello.

 (Carta de Curvello, solicitando divulgar. RJMoreira)
Obs.: Cursos “minoritários” ; entendendo a situação na qual a maioria das disciplinas estão fora dos lugar acadêmico no qual o curso está vinculado. RJMoreira;

Caro Roberto

Havia acabado de manifestar a um colega minha intenção de comparecer à reunião sob sua coordenação, quando tomei conhecimento de sua mensagem. Observando os princípios indicados nos primeiros comunicados enviados por você, que devem reger a elaboração do novo Estatuto, vejo uma preocupação sua em preservar e mesmo aperfeiçoar a prática da democracia, relacionada à garantia do acesso ao conhecimento e produção de ciência em nosso ambiente universitário. Desta forma, não posso me esquivar de fazer um comentário sobre minha visão do que ocorre nos atuais Institutos ("Unidades Administrativas": entre aspas porque como tais, se não me engano, são entendidos nos atuais instrumentos normativos). Criados, no início dos anos 1970, com espírito temático, tinham por objetivo agregar temas comuns a diferentes cursos, em Unidades onde se pudesse administrá-los de forma a garantir qualidade acadêmica pela racionalização do espaço e especialidade do corpo docente, evitando-se a pulverização, que poderia ocorrer no sistema de escolas. Com o passar do tempo e, principalmente, com a abertura à participação política dos três segmentos, defendida por nós, ocorreu um paradoxo à pretendida democratização, que se sustenta na perspectiva de participação das minorias: Hoje, via de regra, os cursos minoritários, assim entendidos como aqueles com pouca convivência em determinados Institutos (pequena carga horária de disciplinas), não têm qualquer peso político nos fóruns decisórios dos mesmos (Conselhos Departamentais, eleições, etc) o que compromete a garantia da qualidade acadêmica inicialmente pretendida para todos. Reconhecendo que a questão colocada desta forma possa soar estranha para alguns, vou procurar ser mais claro: já presenciei posicionamento de professores no sentido de se restringir o acesso ao conhecimento para esses cursos minoritários, à revelia da grade curricular dos mesmos, como se aqui fosse o foro para se definir reservas de mercado, ignorando o espírito da universalidade que deveria ser a base do nosso pensamento. Pior é saber que, em alguns casos, tais posicionamentos têm apenas motivos eleitoreiros (lembrando: os minoritários não votam), desmoralizando, a meu ver, toda aquela nossa luta pela democratização de escolha de dirigentes. É bom que fique claro que tais fatos não ocorreram apenas no Instituto onde atuo. É emblemática também, a figura do coordenador de curso que nem sequer tem acento na mesa das solenidades de formatura, ao contrário do diretor, presença formal nas formaturas dos cursos majoritários de seu Instituto, numa clara demonstração de que aceitamos, na prática, o Instituto como sede de curso, subestimando a área acadêmica, cujo representante maior é o coordenador de curso. Vício antigo, a meu ver. Em vista disso, acho fundamental, na discussão dos novos instrumentos e na perspectiva da mudança da estrutura acadêmica, que tenhamos essas questões das atribuições bem claras. Até lá
Um abraço
FACurvello

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