9 de julho de 2009

Informe 1 – Respostas ao Manifesto de Criação

Informe 1 – Respostas ao Manifesto de Criação
04/07/2009

Caros Professores
1.O Manifesto acima referido foi enviado a partir de duas listas de emails que podem estar incompletas e defasada. Aqueles que não receberam a mensagem e quiserem se integrar ao GT deste Movimento Democracia Universitária Democratizante são bem vindos. Enviem mensagem a moreirarobertojose@gmail.com

2. Após quatro dias de seu lançamento, a receptividade do Manifesto, que este Informe visa socializar, justifica que desde já CONSIDEREMOS O GT CRIADO. Sugiro que pensemos em uma primeira reunião face à face para o início do segundo semestre letivo; das 17 às 19h. da primeira segunda feira do semestre LETIVO.

3. A proposta de criação do GT teve adesões e concordâncias para além da categoria dos Professores Associados; é, portanto, um GT aberto a toda categoria docente. Seria equivocado personalizar e pessoalizar o trabalho do GT que ainda vai ser realizado como o ”GT do Roberto”, como já está sendo chamado. Insisto, a identidade do GT é uma identidade Docente, GT dos Docentes que se identificará por lutar por uma Democracia Universitária Democratizante. Falemos dele como GT dos Docentes, GT Democratizante ou GT Democracia Universitária, qualquer uma dessas denominações vale, menos aquela que consolide personalismos e vaidades indevidas.

4. Como item de pauta de nossa primeira reunião face à face sugiro que examinemos a possibilidade de acolher estudantes e técnico-administrativos que se identifiquem com o espírito deste GT.

5. Até o momento, recebi 20 respostas sim, que concordam; nenhuma resposta não; uma pedindo mais esclarecimentos e uma manifestando indecisão; somando 22 respostas. Podemos considerar indiferentes todos os que ainda não responderam. Apesar da firmeza e contundência das respostas é ainda de pequena expressão. Continuaremos apostando em novas concordâncias.

6. Segue uma coletânea das respostas, sem identificação dos nomes dos autores, que se expandiram para além do sim.

a. Prezado Roberto, Parabéns pela iniciativa de vocês, realmente estamos muito bemrepresentados e concordo com o seu manifesto.

b. Prezado Professor: em primeiro lugar eu gostaria de agradecer/parabenizar sua iniciativa.Eu sou de um instituto com poucas cabeças que acreditam na mudança e muitas que parecem vê-las com críticas conservadoras. Portanto, eu concordo com uma iniciativa autônoma e gostaria de participar desta iniciativa.
Embora eu não seja das ciências sociais, sinto-me afetado pelas definições que são apresentadas sobre os fazeres das ciências. Sobre a construção do conhecimento e sobre a "patrimoniação" desse bem coletivo. Temo, na verdade, pelos discursos que apresentam os fazeres da ciência como algo redutível a um jogo de dúvidas e incertezas. É preciso que se veja a técnica de investigação científica (Os métodos científicos) como um patrimônio humano que merece continuidade e preservação. Neste sentido, o patrimônio dos fazeres científicos também merecem (em muitos níveis) ser preservado e continuado. Acho que o discurso apresentado no início de seu documento e que talvez venha a nortear as discussões nesse GT deva possa também discutido e modificado caso haja tempo). Vejo como também importante que se inclua no discurso algo que indique claramente que a universidade representa um importante centro (no nosso país possivelmente o único) onde os fazeres da ciência são possíveis em escala tão universalista e de certo modo autogerida. Para os GTs é também importante que se tenha a clareza que as mudanças no estatuto devam ser guiadas por uma proposta de "auto-sustentabilidade". Nós devemos estar preocupados com um futuro que possivelmente muitos não experimentarão, mas que possa ser confortável para os que lá estarão. Um abraço,

[Minha resposta a b.] Concordo com vc. em relação ao discurso pós-moderno da ciência. A ciência da incerteza, não é um jogo de "dúvidas e incertezas", é o reconhecimento de que a verdade científica é relativa ao construto teórico e à metodologia que constrói, com validação de verdade entre os "experts" daquele campo científico, o objeto de investigação e os fenômenos observados.
Essa certeza da verdade só é assegurada pela crítica, pelo exercício da dúvida e pela necessidade de demonstração. Dois aspectos são relevantes, a meu ver: O primeiro é que o projeto da ciência moderna clássica de conhecimento absoluto desmoronou; ou seja, por mais que evolua os parâmetros teóricos e os métodos e instrumentos de medidas, há influência não locais, para além dos fenômenos analisados e para além do métodos, como demonstra do Teorema EPR no debate da física quântica. O segundo é o uso ideológico da ciência, como se o saber científico fosse eticamente superior a outros saberes culturais, por exemplo aqueles que dão sentido e significado as vidas e vivências sociais de pessoas, grupos e nações.
O discurso pós-moderno radical nos diz que toda verdade é igualmente válida e obscurece o fato comum que vivemos em sociedade e que a dimensão comum da vida de todos nós só é construída como fatos e processos político culturais.
È lógico que estará tudo sendo discutido no GT Docente, apenas precisamos deixar a poeira abaixar para ver como funcionaremos. A aceleração que a Reitoria está imprimindo ao processo dificulta essas manifestações autônomas. Fiz das tripas coração para conseguir botar, ao mesmo tempo da Reitoria, uma alternativa em cena. Obviamente poderá ter muito a ser corrigido.Abraço, Roberto

c. Caro Roberto,Sinto por não ter lhe respondido antes, mas é que me encontro em um momento difícil. Estou tentando me informar melhor sobre tudo, para poder tomar decisões.Um abraço e até breve.

[Minha resposta a c.] Ok. Só o Reitor quer que tudo seja feito às pressas. Todo engajamento requer consciência. Roberto

d. Roberto, Concordo com a formação de um GT independente para a proposição de um regimento. Na medida do possível, procurarei colaborar. Abs.

e. Concordo plenamente. Quanto maior a difusão do pensamento e maior quantidade de propostas e pessoas envolvidas, maior a chance de chegarmos a um consenso inclusivo de todos os envolvidos. Um abraço do

f. Prezado Roberto: Cumprimento a sua iniciativa de abrir mais este espaço para a construção coletiva de propostas para a nossa Universidade. Este é um momento especial em que todos os encaminhamentos - o já apresentado pela Reitoria, os que vierem a ser realizados por unidades, grupos diversos e "colégios invisíveis" de docentes, alunos e técnicos, toda a amplitude de formas que pudermos utilizar para ouvirmos verdadeiramente a diversidade das vozes de nossa Instituição, com certeza estaremos colaborando para que haja mais "inteligência" na construção em andamento.Um abraço,

g. Prezado prof. Roberto Moreira. Só hoje tive acesso ao documento que você enviou aos Prof. da UFRRJ, pois não tenho o email geral da UFRRJ e portanto não tinha recebido a mensagem. Gostaria de parabenizá-lo pela iniciativa e preocupação já que é nosso representante no CEPE. Nós, os Professores do Dep. [RJM] compactuamos as mesmas aflições descritas por você sobre as propostas iniciais e a condução da reforma, e em reunião realizada nesta segunda-feira dia 29/06, elaboramos um documento simples mas que deixa clara nossa indignação não só na limitação na participação, como também do atropelo para finalizar a referida reforma. Adicionalmente, solicitamos que seja elaborado um calendário mais extenso, que não coincida com as férias, como agora, pois isso leva à desarticulação. Uma outra dúvida colocada, foi a de que muito trabalho foi realizado nesses últimos 13 anos para reforma da estatuinte e pelo que foi colocado, esses documentos nem foram consultados. E por último, todos nós ficamos na dúvida se essa reforma estaria sendo proposta em conformidade a proposições da ANDIFES/MEC? Anota meu email na sua lista. Abraço

h. Caro Roberto. Sou a favor (a ditadura já passou). Estou sinceramente apreensiva com a forma de condução do processo de elaboração de um novo estatuto da nossa Rural, ao apagar das luzes de um final de semestre conturbado e prejudicado pelo excesso de feriados e recessos, em período final de provas. Já vi isto antes com o PDI, quando ocorreu apenas uma única reunião no IA, com todas as comissões formadas para tal fim, e nada, pois a segunda reunião seria em 19/04/06 e até hoje estamos esperando mas, o PDI foi aprovado assim mesmo. As normas institucionais por acaso foram discutidas em algum fórum ou mesmo nos departamentos? Os novos cursos que estão sendo formados a toque de caixa sofreram um crivo em reuniões departamentais? A administração tão democrática está dando tempo hábil para que todo esse processo de reformas que o Mec está nos empurrando seja discutido com mais clareza ou estamos contribuindo para nos tornarmos apenas imensos centros acadêmicos, semelhantes a tantas outras universidades privadas? Tantos cursos criados e os antigos por acaso foram reestruturados? Já foi aprovado em 23/06/09 ou 22 (DOU seção 1 pg 31 e 32) 0 PG profissionalizante já foi aprovado pelo MEC e os jornais estão discutindo os nossos como sendo apenas acadêmico, alguém já se deu conta do que ocorrerá? E a extinção?? da DE pelo MEC também engoliremos? Nosso modelo de ensino pesquisa e extensão pelo qual tanto lutamos, por acaso não está indo "morro abaixo"?É democrático formar antes uma comissão para direcionar uma estatuinte ou convocar uma assembléia constituinte e, nesta, tirar-se uma comissão que direcionaria as metodologias? Por que a pressa?O que acho é que, tanto a nossa administração quanto o CONSU está esperando que devido ao desinteresse demonstrado pela maioria (veja número de votantes na última eleição para reitor) de nossos colegas, o novo estatuto seja aprovado assim como ocorreu com o PDI. Sou a favor a sua idéia de formação de grupos autônomos, mistos e, não, a formação de grupos por classe docente. Somos poucos, mas se juntarmos as forças seremos poderosos. Precisamos é nos unirmos, respeitando diferenças e amizades por uma instituição que respeite a sua história, que inove na busca de novos olhares e saberes, diretrizes justas, éticas e que visem uma melhor adequação de seus processos administrativos e disciplinares internos em prol de uma vivência de ensino realmente de qualidade e não de frases de efeito. Abraços.

i. Caro Professor Roberto. Li e concordo com o manifesto. Att.

j. Concordo na íntegra do documento.

k. Caro Roberto, Gostaria de participar desta discussão, na medida de meus limites práticos (finalização da tese de doutorado). Compartilho com você as preocupações com a metodologia proposta. Um abraço,

l. Prezado Roberto, Não estou ciente da metodologia proposta pela reitoria, vc poderia me informar para poder a posterior tomar um posicionamento? De qquer forma parabéns pela iniciativa. Obrigado,

[Minha resposta a l.] Prefiro encaminhar-lhe o documento da Reitoria e o meu sobre o assunto. Abraço, Roberto.

m. Caro Roberto, parabéns pela iniciativa. Participarei do gt, certamente, mas o farei de forma limitada, pois além das férias de julho, tirei licença prêmio em agosto, e ficarei fora do Brasil até 31 de agosto. Somente depois poderia me integrar ao grupo. Abraços.

[Minha resposta a m.] A internet nos aproximará e permitirá uma participação que será bem vinda. Penso que sua volta presencial ainda possibilitará presença em atividades face aface do GT. Abraço. Roberto

n. OK, creio que este foi o espírito da última plenária.

[Minha resposta a n.] Estou atento às plenárias do poder dominante, mas o espírito de GTs autônomos está na decisão do Consu. A Reitoria e seu grupo ainda lutam para inviabilizar a participação ampla, de qualidade acadêmica e democrática. Penso que este procedimento pode levar o Reitor a perder as bases que o elegeram, buscando apoio no seu grupo de apoio direto e naqueles que circulam em torno do poder, nos sindicatos, na central estudantil [em dúvida agora com a mudança da liderança]. Abraço. Roberto.

o. Oi Roberto. OK. Creio que haverá necessidade de pontes entre Institutos não? Para tentar que eles produzam apenas um doc. minimamente consensual. Pode ser feito via este GT? Não seria bom se vc pudesse participar de ao menos algumas reuniões dos Institutos para fazer exatamente isso? [RJM] No mais, continua pendente da forma em que o martelo vai bater. Vai ser formalmente no Consu, não se discute, mas na prática, pelo que vejo, vai ser ou via paritária (votação) ou referendum universal. Abs.

[Minha resposta a o.] Para haver pontes entre os Institutos é preciso que os Institutos tomem a decisão soberana de formar seus GTs. Sem essa decisão a ponte entre eles se fará por meio dos "delegados" dos Instituto no COG, com base na lógica da Metodologia da Reitoria. Confio na lucidez e na liderança dos Diretores, que tentarão garantir a operacionalidade dos GTs de suas unidades, certamente estimulando e troca informações para que os GTs de Institutos - insisto, se vierem a ser criados - possam acatar e aglutinar sentimentos e propostas consensuais. A proposta do ICHS ao Consu estimulava essa interação entre GTs. Se houver divergências entre os GTs, penso que é mais positivo à consciência da Rural sobre ela mesma (consolidando a reflexibilidade institucional, tão carente em nossa Universidade e que o Consu examine todas as propostas). Desculpe-me pelo linguajar das ciências sociais. Aqui quero dizer que a avaliação institucional crítica deve explicitar as diferencias para gerar convergência, que a meu ver deveria ser produzida na decisão final do Consu.. Nesse processo avaliativo crítico ela constrói sua própria identidade institucional e legitima suas decisões, no caso o Estatuto. A possibilidade mais viável, a meu ver, é que o Consu crie uma Comissão de Sistematização - como era a proposta do ICHS ao Consu; sem direito a veto, acrescento eu - que examine as propostas que forem enviadas ao Conselho e as sistematize, explicitando os consensos e as diferenças, para posterior exame e votação. Você é cético quanto ao poder e soberania do Consu na questão do Estatuto. Eu não. Os Diretores foram eleitos e representam suas bases, devem explicações a elas e são por elas pressionadas. O G22 da Reitoria, levou o Reitor a cometer um erro de política acadêmica, a meu ver grosseiro, criando uma metodologia de participação nas deliberações do ESTATUTO, que proíbe a participação dos Diretores dos Institutos e das lideranças acadêmicas de cada Instituto. Há um descontentamento geral no ar respirado pelas bases. Sinto uma arrogância no ar respirado no P1, como se decanos e assessores tivessem mais poderes legitimados do que os Diretores eleitos NOMINALMENTE e, posso estar equivocado, mais até do que o próprio Reitor. Eu particularmente não reconheço no Magnífico Reitor que se apresenta neste episódio, a pessoa do Ricardo Miranda que conheci por mais de 20 anos de luta universitária.
Não vamos supervalorizar o poder do GT Docente Democracia Universitária Democratizante. Nossa proposta singela é produzir um Estatuto com o espírito das Diretrizes que estaremos construindo até o início efetivo do trabalho do GT, e apresentá-la à consideração do Consu e do pensamento social ruralino. Para tal, estaremos abertos, penso eu, à efervescência da Universidade. Para tanto, estaremos receptivos às contribuições que a nós chegarem, bem como socializando nossos debates e decisões para que possam ser pensados pelos demais GTs que estiverem em operação. Penso que os participantes do GT Democracia Universitária Democratizante poderão livremente circularem nos Gts de seus Institutos, fazendo a tal interlocução que você está preocupado. Pessoalmente, aceitarei convites para falar em qualquer instância ou local da Universidade, como já o fiz, para uma Audiência Pública do ICHS, que ainda não se realizou , e para um debate no IF, a ser agendado. Abraço. Roberto

7. Para nossa operacionalidade, sugiro que dentro do possível aqueles que já se engajaram iniciem se manifestando sobre os conteúdos do Estatuto e possíveis encaminhamentos junto ao GT. Também dentro do possível procurarei sistematizar as contribuições ao debate. Quem sabe já teremos algo mais substantivo para divulgar antes da primeira reunião face à face do GT.

8. A Carta dirigida ao Reitor, pelo Prof. Raimundo Santo, publicada no Rural Semanal é um alerta importante do frágil momento pelo qual nossa instituição universitária está passando. Retomem a leitura à luz dos acontecimento desta semana.

Roberto José Moreira

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